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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Medo! G.G

Passei anos sem saber, ao certo, o que era, realmente, este tal medo. Chamava, então, toda reação ao desconhecido de medo. Dizia ter medo de andar na rua sozinha, quando, na verdade, tinha ansiedade. Também dizia ter medo de fazer uma prova difícil e, até hoje, não sei se era mesmo o dito medo.
Sabia, apenas, do que dizia minha mãe quando eu era mais nova. Dizia ela, sempre, que o medo era algo bom, pois nos protegia... Deixava os olhos abertos, os pensamentos mais rápidos e, principalmente, melhorava os nossos movimentos.
Em contrapartida, ouvia de quase todos os demais que o medo era algo ruim, indigno! O medo, para tantos, era algo que nos impedia de agir, nos imobilizava, nos sufucava, nos matava, talvez.
Lembro-me até hoje de meu irmão mais velho conversando com os amigos e perguntando a eles se tinham "medinho" disso ou daquilo. Geralmente, os amigos faziam caretas divertidas e diziam que não e, logo, davam um jeito de provar.
Também me recordo das minhas conversas com amigos, quando eu tinha uns sete ou oito ano... Perguntavamos uns aos outros quais eram os maiores medos de cada uma das crianças que estavam conosco e, depois, tentavávamos "combater" os tais medo. Nunca conseguimos. Pelo menos, nunca deu certo para conseguir combater um grande medo meu.
Pensando bem...Eu nunca soube, exatamente, quais são meus grandes medos. Ou melhor dizendo, nunca julguei ter nenhum grande medo. Será que eu deveria ter algum? Um só, se fosse o caso. Todos parecem ter... um grande medo. Se o medo realmente nos protege, como minha mãe dizia... quanto maior for, melhor, não? Um grande medo, então, seria o ideal. Vários medos gigantescos? Melhor ainda. Mas se o medo for como uma doença terrível e indigna, como todos os demais afirmam, não tê-lo deveria ser o melhor de tudo, não? Se assim for, estarei bem.
Só tenho certeza de uma coisa: se Pandora tivesse mais medo, não havia aberto a mal dita caixa.
Todo o resto é incerteza. Estas incertezas parecem dominar minha mente, devorando todos os pensamentos que nascem em vão. Tudo bem...Deve ser apenas o medo do desconhecido.

sábado, 11 de setembro de 2010

Aniversário

Aniversário... aniversário... O tempo está passando! Ontem o último aniversário me veio... e antes de ontem o penúltimo, um ano atrás o antepenultimo. O tempo está passando mais depressa agora... Não, o tempo passa sempre do mesmo modo! O fato é que estou ficando velha... e quanto mais velha fico, mais rápido penso que as coisas passam.
Talvez, seja pela questão da proporcionalidade. Afinal, um dia para uma criança que acaba de nascer é um tempo gigantesco! E para alguém que tem lá seus 70 anos é simplesmente "um dia como todos os outros".
Não sei se gosto de estar mais velha... também não sei se gosto que os outros me vejam assim.
Ontem, o dia começou de modo estranho. Acordei sozinha, de repente... e fiquei a pensar sobre o ocaso, as estrelas e mais essas coisas que deveriamos ver todos os dias. Fechei os olhos e mantive-me a pensar. Quando me dei conta, já estava sendo acordada pela minha mãe.
Com um tom infantil ela dizia "Hoje é o seu dia... Feliz aniversário!". Falava como se eu tivesse 5 ou 6 anos de idade... Não sei se ela sabe que completei 16. Pode ser que seja verdade o que dizem... que para as mães, somos sempre bebês independente da idade... ou talvez fosse uma mera ironia mal compreendida... mas, bom, acho que eu já deveria ter passado da idade de me importar quando me tratam como mais nova do que realmente sou.
Despertei, novamente, resmungando algo baixinho... segui ao banheiro como é de costume todas as manhãs. Quando sai, meu pai chamou-me a atenção. "Ei, Bia, feliz aniversário". Abafei um riso e terminei de me arrumar para a escola.
Na escola, tudo ocorreu como geralmente ocorre... Provas, aulas, professores, alunos, amigas, etc, etc... Eu fiz questão de fazer que o dia fosse exatamente como todos os outros... Por isso, incomumente repetia mentalmente as palavras "Hoje é mais um dia normal. Hoje é mais um dia normal." E acreditem ou não, é verdade o que dizem: uma mentira repetida várias vezes torna-se verdade. Tirando a repetição incomum, o dia foi, perfeitamente, comum e, portanto, não irei descrevê-lo aqui.